Balanço da Cape Town Cup

E assim veio mais um troféu para o nosso magnífico Museu, pois o prestígio não se mede aos palmos e neste clube, todo e qualquer torneio deve ser encarado com o mesmo espírito e um só objectivo: vencer.



Se no primeiro jogo, tivemos alguma dificuldade em levar de vencida o modesto Ajax Cape Town, no segundo a equipa já denotou maior organização e principalmente concentração no jogo, talvez pelo facto de se tratar de uma final e de o adversário ser um representante da Premier League, e já com outro arcaboiço e estatuto. Ainda assim, o Sporting cumpriu a sua obrigação de equipa favorita a vencer o torneio.

Em destaque esteve o ENORME Rui Patrício, que vai respondendo aos críticos, muitos entre os próprios adeptos leoninos, que ainda não perceberam o enorme orgulho que é poder contar com um Guarda-redes com este nível e principalmente com o seu amor incondicional a este clube, e que o prova ano após ano, jogo após jogo. Também comete erros, como todos, mas a sua regularidade é impressionante e quando sair, será muito difícil arranjar substituto à altura. Venceu com toda a justiça o prémio de MVP do torneio.

Entre os reforços, Naldo foi aquele que melhores indicações deu, especialmente na final, onde formou dupla com Paulo Oliveira, mostrando bons pormenores, bom na marcação, jogo de pés bastante aceitável e uma velocidade também apreciável, algo que no primeiro jogo não se conseguiu ver. A Ciani, vou ainda dar o benefício da dúvida, pois entrou a frio e num momento em que a equipa estava a jogar mal e desequilibrada. Ainda assim, o Francês não deverá entrar na dupla titular durante a temporada, embora possa a vir a ser bastante útil durante a época, com o Sporting a poder fazer uma gestão maior neste sector, pois há ainda Tobias e Ewerton que deverá regressar em Setembro.
Téo Gutiérrez, pareceu-me muito preso de movimentos, talvez devido às cargas físicas normais de pré-temporada e que se notam mais nos jogadores "trintões". Recordo que por exemplo Liédson, iniciava sempre mal as temporadas e depois ia crescendo com a competição. Ficou-me na retina aquele movimento, seguido de remate fantástico de Téo, para grande defesa do guarda redes do Ajax CT, no primeiro jogo. Neste momento, Montero parece estar bem melhor, até porque já se entende de olhos fechados com Slimani (um "terror" para os centrais adversários). Mas Téo não engana, está ali um craque, e será apenas uma questão de tempo até se impor definitivamente.
João Pereira igual a si próprio, embora precise de tempo e de jogos, até adquirir a melhor forma física e poder fazer aquilo que nos habituou, correndo por aquela lateral toda, do 1º ao último minuto.

Dos "residentes" Paulo Oliveira confirmou o seu estatuto de titular, Jefferson foi um dos melhores na final do torneio e assume-se como uma arma vital nas bolas paradas, Adrien foi o habitual "bombeiro" da equipa e procura perceber ainda aquilo que JJ pretende dele. Não será com toda a certeza o melhor substituto de William, como se viu no 1º jogo, pois "mastiga" muito o jogo num sector onde se tem que decidir rápido e bem. Por seu lado, Ruben Semedo ocupou muito bem essa posição, embora mais em termos defensivos do que no início de construção de jogo, e pode ser uma boa solução de recurso. João Mário é outra das possibilidades, mas falta-lhe agressividade e intensidade necessárias para essa posição, e deverá ser mais utilizado como médio centro (8) ou mesmo do lado direito onde jogou alguns minutos e JJ é pródigo neste tipo de 'nuances' tácticas.
Carrillo continua a não saber aproveitar todo o talento que tem, em prol da equipa, e perde-se muitas vezes em fintas e dribles desnecessários, inventando em zonas proibidas. Terá que corrigir isto se quiser ser um jogador de topo. Ainda assim, é neste momento o jogador mais criativo da equipa, juntamente com Gelson Martins, que embora mais novo, mostra ter já mais maturidade que o peruano, embora perca ainda na sua dimensão física, algo que irá ganhar com o tempo e o trabalho de ginásio efectuado na Academia. Mané continua a ter "golo". Quando menos se espera, lá aparece ele a empurrar para dentro da baliza. O seu dinamismo e irreverência dentro de campo, sempre em prol da equipa, é uma mais valia para o grupo. No 2º golo de Montero na final, é Mané que arrasta consigo um dos centrais, libertando espaço para o aparecimento do colombiano, que aproveita o excelente trabalho de Slimani. Um excelente trabalho ofensivo dos 3 homens do ataque leonino, que serão na minha opinião os que estão em melhor forma, neste momento, como é normal.

Os espanhóis Capel e Rosell, parecem perder espaço dentro da equipa, tendo jogado muito poucos minutos. Esgaio é uma aposta segura para alternativa a João Pereira, e se este não se puser a pau, pode mesmo perder o lugar para o internacional sub20.

Em suma, um bom "aperitivo" para o que aí vem, e serão desafios de grande dificuldade e exigência já aí à porta. Já é visível o trabalho de Jorge Jesus, e esta temporada iremos ver com toda a certeza uma equipa virada para o ataque continuado, pressão altíssima e jogos empolgantes, com oportunidades para ambos os lados, emoção ao rubro e no final com muitos golos e vitórias do Sporting.

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